BR
10월 26, 2025
Era uma coisa meio Forrest Gump.
Quanto maior o drama, pra mais longe de casa eu queria ir.
Nos momentos em que a vida me mostrava com muita força que eu não controlava nada, eu sentia que pelo menos podia pegar meu carro e dirigir até onde eu quisesse.Sempre achei que era assim que os andarilhos davam o primeiro passo sem saber quando, onde ou se iam um dia parar.
Ia de São Paulo até Recife sozinho, ia sem pressa, como alguém que calcula quando quer terminar um livro pra não ficar sem ter o que fazer.Assim eu tinha a sensação, talvez ilusória, de que eu controlava alguma coisa.
Só uma emoção pode neutralizar outra emoção e na estrada o que mais me emociona é sempre o céu, dizem ser importante sentir o chão sob os seus pés, eu digo ser importante sentir o céu sobre a sua cabeça.
Depois de algum tempo me sinto presente no tempo e no espaço e penso: Eu sou o carro.É isso!
Não interessa se é o carro mais rápido, mais bonito ou mais caro da estrada, o que importa é eu não querer outro, eu gosto e cuido dele do jeito que ele é.
Quanto carro por aí com mais personalidade que os donos.
Eu não tenho pressa, não porque não tenho vontade de chegar, mas porque acordo cedo.
Não adianta ter o carro mais rápido e acordar tarde.
Não adianta ultrapassar 1000 caminhões porque uma hora tenho que parar pra reabastecer.
A ultrapassagem é uma ilusão.
Não adianta querer chegar primeiro porque não é uma corrida e a pista não tem começo nem fim.
O carro que você via e tratava como retardatário pode ser o que vai parar pra te ajudar lá na frente.
Tudo bem meu carro ser devagar se eu confio e sei que ele serve pro meu tipo de viagem.
Entendo e acompanho o ritmo da estrada, sei que aqui faço parte de algo maior e que em cada "carro" existe uma vida e em cada vida uma vontade de chegar, de descansar um pouco.
Como uma cidade ainda distante, todos nós temos um destino que não podemos ver mas sabemos estar lá.
Confie no carro que Deus lhe deu,não queira outro, com ele você chegará ao lugar que você pertence.