
Horiyoshi III foi a primeira pessoa pra quem contei que ia ser pai.
Ele sempre me deu bons conselhos e dessa vez me disse:
-Você vai precisar ter força e paciência.
Entendi o que ele quis dizer muito mais tarde.
Eu sentia toda a autoconfiança do mundo que um homem podia sentir e talvez esse excesso de convicção tenha feito eu me esquecer dos meus limites.
Mas quem decide começar uma família em dúvida?Não existia em mim um plano para o caso das coisas darem errado.Era final, era para sempre, eu sabia o que estava fazendo.
Minha força vinha da verdade que eu percebia em tudo.
Veio a tempestade e a casa que eu achava ser de tijolos era na verdade de palha.
Eu não sabia mais o que era verdade e o que era mentira.
Hoje sei que esse desfecho poderia ter sido adiado mas não evitado.
Como e porque tudo aconteceu só o pai e a mãe sabem.
Eu nunca vou ver meus filhos saindo de casa para o mundo como um dia imaginei isso acontecendo.
É como se tivessem voado do ninho com 2 e 4 anos.
O que fazer com tanto espaço vazio?
Durante 3 anos fiquei perto deles morando separado e quanto mais tempo passava mais atormentado e desequilibrado eu ficava, me sentia um cão de sentinela cuidando de uma casa que não precisava de mim. Raivoso, machucado, triste e arrependido. Me sentia invisível.
Fazendo mal a mim mesmo e todos em minha volta sem conseguir me mover.
No começo quando estávamos somente os 3 eu sentia a ausência da mãe e isso me impedia de viver o presente com meus filhos.
Acreditava que a paternidade dependia do casamento.
Um dia acordei e tomei a decisão mais difícil da minha vida, morar longe dos meus filhos.
Como buscar a cura dentro do mesmo ambiente que te fez adoecer?
Com o tempo enxerguei internamente pela primeira vez as possibilidades de uma vida verdadeira com meus filhos.
Desde de então sou o pai que sempre quis ser e minha felicidade não é mais triste.
Como pai dou a eles o meu melhor, o meu sorriso.
Como pai dou a eles o chão que eles pisam e em retorno recebo o meu.
Sou pai, sou eu.